ANSIEDADE NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA - EP1

Atualizado: 25 de jul. de 2021

O Brasil é conhecido como um dos países com maior nível de ansiedade do mundo. Podemos dizer que já sofríamos de uma epidemia de ansiedade muito antes da pandemia do Covid-19.


Segundo informações da Organização Mundial da Saúde, O Brasil já tinha um número enorme de pessoas ansiosas lá em 2019, isto é, 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) já conviviam com o transtorno (muuuita gente).


Uma pesquisa mais recente, realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nos meses de maio, junho e julho de 2020 revelou que 80% da população brasileira tornou-se mais ansiosa durante pandemia do novo coronavírus.


Eu mesmo lembro que logo ali nas primeiras semanas, quando tudo parou no Brasil, fui tomado por sensações intensas de medo e ansiedade, gerada por toda aquela sensação de incerteza: "o que é esse vírus?", ''até quando a quarentena vai durar?'', ''teremos vacina?".


Todo o caos daquele momento fez com que muitas pessoas procurassem por serviços psicológicos, segundo informações do Google, na semana de 29 de março a 4 de abril de 2020, quando a maioria dos estados brasileiros já havia decretado quarentena, a busca por atendimento psicológico na plataforma chegou a 88%.


Ansiedade é um sentimento de inquietação, como preocupação ou medo, que pode ser leve ou grave, mas é sempre bom lembrar que a ansiedade em si não é o problema, o que deve trazer preocupação (para você ver que nem toda preocupação é ruim) é quando essa ansiedade está em excesso.


Todo mundo tem sentimentos de ansiedade em algum momento da vida, por exemplo, você pode se sentir preocupado e ansioso em fazer uma entrevista de emprego, ao ter de conversar algo delicado com seu filho, tirar a habilitação ou o próprio medo de pegar Covid. Em momentos como estes, sentir-se ansioso (foca aqui) pode ser perfeitamente normal.


O que pode sinalizar um problema é que algumas pessoas têm uma dificuldade maior para controlar suas preocupações, ou seja, elas são constantemente quase que invadidas por pensamentos de preocupação e de medo, por vezes sem muito sentido ou ligação com a realidade (é só pensar em quantas das suas preocupações realmente aconteceram) Seus sentimentos ansiosos são mais constantes e muitas vezes podem afetar tarefas comuns do dia a dia, como na realização de uma prova ou evitando uma conversa importante.


Mas como a ansiedade se manifesta nas crianças e adolescentes?

Na infância é comum que os pequenos se assustem com barulhos e chorem com animais estranhos, medos que tendem a diminuir conforme crescem. O fato é que desde bem pequenos, já nascemos com uma predisposição natural para sentir medo das coisas, ou evitar situações percebidas como ameaçadoras.


Podemos entender que a ansiedade é então uma reação universal (ou seja, que todo mundo sente) quando estão lidando com situações que podem ser perigosas, ou percebidas como perigosas.


As reações da criança e do adolescente diante dessas situações se manifestam de 4 principais formas: nos pensamentos, nas emoções, nas reações fisiológicas e no próprio comportamento.


Por exemplo: imagine um adolescente de 14 anos, que dormiu até mais tarde a semana inteira jogando games e foi mal nas avaliações da escola, recebe uma mensagem da mãe dizendo “preciso conversar com você” (a pessoa já treme do pé a cabeça) caso o jovem perceba essa situação como uma situação de perigo, ele pode ter o seguinte pensamento “minha mãe vai falar um monte, vai me deixar de castigo, estou ferrado?” Esse pensamento pode aumentar sua ansiedade e medo, gerar reações fisiológicas, como aumento no batimento cardíaco, e tudo isso pode influenciar na intensificação das suas emoções, gerando um comportamento, por exemplo, de mentir ou não voltar para casa tão cedo.


É importante lembrar que o medo e ansiedade são comuns ao longo da vida, e funcionam como um fator de proteção, tanto crianças quanto os adolescentes precisam aprender a lidar com vários desafios ao longo do crescimento. Seja aos 7 meses quando um bebê chora ao estar com pessoas estranhas, aos 6 anos quando precisa lidar com o ambiente desconhecido da escola, ou aos 15 quando precisa entrar no ensino médio e já ir pensando na escolha profissional.


A maioria dessas situações traz o que chamamos de ansiedade natural, o problema vai sempre depender da intensidade, duração e frequência dos sintomas, que podem revelar então possíveis distúrbios da ansiedade, que se manifestam como reações de medo, preocupação ou pavor, desproporcionais a situação, e que enfraquecem as habilidades funcionais normais da criança e adolescente. Ou seja, podemos perceber algo mais grave quando é visível que a ansiedade prejudica as atividades do dia a dia, como os estudos, relações e etc...


Em algum momento durante a infância, cerca de 10 a 15% das crianças experimentam algum transtorno de ansiedade, essas crianças têm maior risco de depressão e ansiedade mais tarde na vida. Por isso é fundamental estar de olho nos possíveis sintomas para buscar ajuda imediatamente.


Como é o tratamento?


O tratamento para ansiedade é feito conforme a intensidade dos sintomas e as necessidades de cada criança ou jovem. Embora os sentimentos de ansiedade em certos momentos sejam completamente normais, um psicologo especialista em crianças e adolescentes pode ajudá-los a lidar com as preocupações, medos e emoções que estão trazendo perturbação. Terapeutas cognitivos comportamentais são geralmente os mais recomendados para esses casos.


Com o tratamento, eles conseguem controlar melhor seus níveis de ansiedade e ter uma vida com mais bem-estar.








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