COMO IDENTIFICAR UM TRANSTORNO DE ANSIEDADE INFANTIL?

Atualizado: 7 de ago. de 2021




A ansiedade é uma parte normal do crescimento, podemos comparar a ansiedade infantil, como um sistema de alerta natural, que dispara em situações de ameaça ou perigo, e a depender da idade da criança, são direcionados para situações diferentes:


· Ao nascer: os recém-nascidos geralmente tem medo de acontecimentos repentinos, como barulhos ou objetos que se aproximam muito rápido.


· Aos 6 meses: a maioria das crianças pequenas revelam algum medo ao se separarem das mães, especialmente quando estão em lugares desconhecidos.


· Entre os 3 e 4 anos, é comum o medo do escuro, de insetos e de aranhas.


· Aos 5 e 6 anos: com o despertar da imaginação, os medos mais comuns são de monstros, fantasmas e seres imaginários, esses medos diminuem com o tempo para dar lugar a outros um pouco mais realistas, embora geralmente pouco prováveis de acontecer, como a morte de algum amigo ou familiar, ou acidentes graves. Essas crianças maiores também costumam temer bastante a punição em casa ou na escola


Na maioria dos estudos se percebe que o medo vai diminuindo conforme a idade, e as meninas expressam mais medo que os meninos. Outra informação é que com um mundo cada vez mais inseguro, novos medos têm se manifestado, como preocupações com a violência, terrorismo e novas doenças aumentando entre elas.


Mas calma, se sua criança já teve ou tem algum desses comportamentos, isso não quer dizer que ela esteja sofrendo de algo mais grave, mas, se essas manifestações de ansiedade se tornam exageradas ao ponto que prejudicam significativamente o dia a dia da criança, dificultando a realização de tarefas simples como dormir, brincar com os colegas ou ir à escola, ou causam aflição grave e/ou evitação extrema, algum transtorno pode existir.


Os transtornos de ansiedade são diversos, e o que eles possuem em comum é o fato de a criança manifestar sentimentos intensos e persistentes ligados a ansiedade.


Ao contrário dos medos passageiros e normais da infância, esses transtornos:


- Provocam uma angústia e aflição extrema que não necessariamente vem de um perigo real ou iminente, ou seja, não é um perigo que de fato está acontecendo.


- A criança não consegue diminuir esse sofrimento apenas com gestos que chamamos de apaziguadores, o carinho antes de dormir, o abraço, e nem ao apelo a evidência, por exemplo, você mostra que não tem nada embaixo da cama e a criança continua angustiada.


- Levam a criança a evitar o que ela teme ou tentar fugir o tempo todo, isto é, comportamentos de evitação extremos.


Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM -V, existem 7 transtornos de ansiedade diferentes, sendo eles:


Transtorno de ansiedade generalizada;

Transtorno de pânico;

Transtorno de ansiedade de separação;

Transtorno de ansiedade social – fobia social;

Fobias específicas;

Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT)

Transtorno Obsessivo compulsivo.


Todos esses transtornos são separados em 4 tipos: ansiedade dirigida, invasiva, reacional e flutuante.


Ansiedade Dirigida: na ansiedade de separação, fobia específica fobia social e no TOC, a ansiedade é dirigida, a criança tem medo de algo ou uma situação específica, o medo é dirigido a algo específico.


Ansiedade Invasiva: no transtorno do pânico, o medo é invasivo, a criança é tomada por súbitas sensações de pânico que podem levá-la a perder o autocontrole.


Ansiedade Reacional: já no TEPT a ansiedade é reacional, a criança revive uma situação traumática da qual ela mesma ou alguém conhecido foi vítima, o que a leva a ter reações de extremo medo e angústia.


Ansiedade Flutuante: por fim nós temos a ansiedade generalizada, que chamamos de ansiedade flutuante, ou seja, a criança tem vários medos persistentes, e não realistas, que a perturbam no seu comportamento.


Agora o que será que faz uma criança ser mais ou menos ansiosa?


Evidências sugerem que os transtornos de ansiedade envolvem disfunção nas partes do sistema límbico e do hipocampo, áreas que regulam as emoções e a resposta ao medo. Estudos de hereditariedade indicam que fatores genéticos também podem influenciar, no entanto, nenhum gene específico foi identificado; isto quer dizer que muitas variantes genéticas provavelmente estão envolvidas.


Pais ansiosos tendem a ter filhos ansiosos e acabam influenciando para piorar os problemas já existentes na criança caso não estejam em tratamento. Em até 30% dos casos, é útil tratar a ansiedade dos pais em conjunto com a ansiedade da criança.


O 5 sinais mais comuns de um transtorno de ansiedade infantil


1- Medos e fobias

Esse é um dos sintomas mais óbvios de um transtorno de ansiedade infantil. As crianças com ansiedade costumam desenvolver mais medos do que o normal. Entre eles, os mais comuns são:

  • Insetos, animais, como cães, por exemplo,

  • Sombras e escuridão;

  • Monstros, fantasmas e seres imaginários.



2- Seguem rituais extremos


Os pequenos buscam uma rotina para se sentirem seguros, por isso podem vir a desenvolver comportamentos rotineiros, como comer apenas determinadas comidas, ir apenas a lugares específicos ou interagir somente com algumas pessoas.



3- Dificuldades no sono


A ansiedade pode trazer insônia, muitos tem dificuldade para dormir sozinho, pedem para dormir na cama ou quarto dos pais, ou precisam de uma rotina bem rígida na hora de dormir.



4 - Manifestações físicas como tinturas, dores de barriga e de cabeça, hoje uma série de pesquisas já apontam que as queixas psicossomáticas são presentes na maioria dos casos de transtornos de ansiedade, especialmente dor abdominal, muitas sem causa biológica direta.


5. Problemas ou evitação escolar.


Provavelmente a manifestação mais comum de um transtorno de ansiedade em crianças e adolescentes seja o comportamento de evitação escolar, isso porque muitas delas evitam a escola devido a algum fator que está provocando ansiedade. Os pais devem estar atentos, pois algumas crianças falam abertamente de suas ansiedades, descrevendo os motivos para o medo: “Tenho medo de não te ver mais” (ansiedade de separação) ou, “receio que os outros alunos vão rir de mim” (transtorno de ansiedade social). Porém, a maioria delas irá se manifestar através de reclamações somáticas: “Não vou, pois, minha barriga está doendo”. É importante lembrar que, em geral, essas reclamações são verdadeiras, pois sintomas fisiológicos como dores no estômago estão relacionados com a ansiedade.



Prevenção


É importante enfatizar que vivemos em uma sociedade que não tolera frustração ou qualquer sinal de fragilidade, então muitas pessoas acham inaceitável sentir ansiedade, existe uma crença de que todos deveríamos nos sentir plenos e tranquilos, o tempo todo. E isso definitivamente é falso, a ansiedade faz parte de quem nós somos, e sem ela, provavelmente você não estaria aqui lendo esse artigo.


Outro ponto, no entanto, é que, apesar de ser natural, o mundo nunca esteve tão ansioso como está hoje, de acordo com a OMS, nos últimos 15 anos houve um aumento expressivo na frequência de transtornos relacionados a este sintoma em todo o mundo, com o Brasil na liderança do ranking. É claro que isso reflete na saúde mental das crianças e adolescentes,


Em crianças e adolescentes, quanto mais cedo o transtorno for identificado, melhores são os resultados do tratamento, o que pode reduzir a gravidade dos sintomas e/ou manifestação e melhorar sua qualidade de vida (Hospital Infantil boston, 2007).





Referencias


https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/pediatria/transtornos-mentais-em-crian%C3%A7as-e-adolescentes/vis%C3%A3o-geral-dos-transtornos-de-ansiedade-em-crian%C3%A7as-e-adolescentes


https://www.erasto.com.br/noticias/transtorno-de-ansiedade-infantil-quais-sao-os-sintomas


https://www.neurologica.com.br/blog/ansiedade-infantil-principais-sintomas-e-quando-buscar-auxilio-medico/


DUMAS, Jean E. Psicopatologia da Infância e da Adolescência-3. Artmed Editora, 2018.

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