Pais ansiosos — como não passar sua ansiedade para os filhos?

Atualizado: 17 de set. de 2021






Um dos maiores desafios no cuidado com filhos, é conseguir protegê-los, sem se tornar um pai superprotetor, permitindo que os filhos corram riscos saudáveis. Um desafio e tanto, pois se tem uma coisa que as crianças adoram é se envolver com situações de risco, seja subindo em uma área aos 5, ou andando de skate em alta velocidade aos 15. Como evitar que quebrem o braço, sem minar as experiências que são importantes nessas fases? O ponto é que todas essas situações são gatilhos para o medo e ansiedade dos pais, e quer queiramos ou não, "As crianças captam os medos dos pais", conforme observa Rebecca Berry, PhD, psicóloga do Centro de Estudos infantis da NYU Langone. "Então, quando você tiver a vontade de gritar, 'Desça daí', respire fundo. Então pergunte a si mesmo: "Isso é realmente algo que eu preciso me preocupar?" Em muitos casos, não é."


No entanto, apesar da ansiedade natural que acompanha toda jornada de paternidade, existem pais que se preocupam em excesso, isso nos leva a um questionamento que muitos pais se fazem: "Minha ansiedade pode causar ansiedade nos meus filhos?" E a resposta é sim, existem diversas pesquisas que relatam a existência de fatores genéticos, com uma taxa de herdabilidade de 30-67% para transtornos de ansiedade, isso significa que caso haja algum familiar de primeiro grau da criança ou jovem com problemas de ansiedade, chances são de que essa criança desenvolva o problema em alguma fase da vida.

Mas é claro que para além dos fatores biológicos, existem os fatores ambientais, que podem ter uma influência e impacto até maior. Pais e filhos podem afetar os comportamentos ansiosos uns dos outros pelo simples fato de viverem juntos, visto que as crianças aprendem principalmente pela observação. Estudo divulgado pela American Journal of Psychiatry analisou quase 900 famílias e comprovou a existência dessa relação, no entanto, da mesma forma que os pais podem influenciar negativamente, eles também podem assumir um papel ativo na diminuição da ansiedade de seus filhos, quando buscam mudanças no seu próprio comportamento.



Cuidado com o que fala próximo ao seu filho


As crianças possuem uma capacidade extraordinária para ouvir o que os adultos falam, mesmo que estes falem baixo, ou em outro espaço da casa, é grande a possibilidade de que essa criança irá escutar a conversa. Além disso, ela pode ouvir parte do assunto e criar fantasias em sua mente imaginativa, o que pode levá-la a sentimentos de ansiedade e preocupação sobre o real significado de suas palavras. Por isso lembre-se que falar sobre seus problemas na frente ou perto de seus filhos pode aumentar seus medos e preocupações.

Conheça seus próprios gatilhos


Primeiro é importante ter clareza sobre quais são os seus gatilhos de medo, os pensamentos de preocupação podem surgir diante de um lugar, coisas, pessoas ou eventos específicos, conhecer isso de antemão pode te ajudar a se preparar melhor, para quando eles surgirem.



Incentivar riscos saudáveis


É fundamental que as crianças e jovens tenham experiencias de riscos saudáveis, isto é, que possam experimentar da capacidade que possuem para lidar e superar situações difíceis, sem você estar lá protegendo o tempo todo. Isso as ajudará a identificar seus pontos fortes e fracos. Se ao ver seus filhos subirem em uma árvore (que não é alta) aciona sua ansiedade de forma extrema, esse pode ser um sinal de alerta, de que você precisa ser menos superprotetor.


Principais motivos que levem os pais a ficarem ansiosos (perguntas que os pais se fazem):


  • O desenvolvimento está acontecendo no tempo certo?

  • Estou muito distante, deixando-o na escola e outras atividades?

  • Eles têm amigos suficientes?

  • Como estão suas notas?

  • Por que ele não come alimentos saudáveis?

  • E se ele sofrer bullying na escola?

  • Outras Fontes de Ansiedade

Como mencionamos acima, embora estas sejam preocupações naturais, a ansiedade começa a ser um problema, quando começamos a pensar que o problema nunca será resolvido, é maior do que parece, ou nossa capacidade (ou a capacidade da criança) para lidar com ele, é insuficiente.


Se você descobrir que está tentando impedir que algo negativo aconteça com seu filho a cada momento, você pode estar tentando "protegê-los" demais e isso pode prejudicar que eles desenvolvam competências e habilidades para lidar com os próprios problemas. Todos queremos proteger nossas crianças, e o medo é normal. Mas quando a frequência e intensidade dessa proteção passa dos limites, pode ser um sinal de ansiedade.


Causas da ansiedade dos pais

Será que a geração de pais atual é mais ansiosa que as gerações do passado? Ou será que a internet e o maior acesso à informação, deu voz aos medos que os pais já têm há séculos? É bem possível que seja um pouco dos dois, o que sabemos é que existem fatores de risco que podem contribuir, por exemplo:

  • um histórico pessoal de doença mental ou ansiedade;

  • vida estressante e negativa;

  • condições físicas que podem agravar sintomas de ansiedade (por exemplo, um problema de tireoide);

  • “overcomparing” com outras crianças para ver se seu filho é "normal" ou está cumprindo marcos

Dicas para gerenciar a ansiedade dos pais

Aceite sua ansiedade e seja racional quanto aos riscos:

Imaginemos uma situação, em que sua ansiedade é seu filho estar sofrendo bullying na nova escola, uma forma de conseguir lidar com isso é primeiro, reconhecendo esse medo, ou seja, não adianta negar, ou fingir que nada está acontecendo, e a partir daí, buscar de forma racional e equilibrada, saber se há ou não motivo para se preocupar, uma possível estratégia poderia ser entrar em contato com outros pais dessa sala, caso identifique que o bullying não é um problema, considere que pode ser improvável que seu filho também, sofra.


Obter ajuda profissional

A terapia pode ser um dos tratamentos mais eficazes para a ansiedade, ainda mais do que a medicação em alguns casos. Por isso não tenha vergonha, ou receio de procurar ajuda, caso perceba que não está conseguindo lidar com o problema por conta própria.


Faça exercícios físicos

De acordo com a Associação de Ansiedade e Depressão da América, atividades físicas frequentes, ajudam na redução do estresse, 5 minutos diários podem ser um bom começo em atividades aeróbicas.


Tome medidas concretas para prevenir catástrofes


É claro que perigos existem, o que discutimos aqui é a preocupação em excesso, por isso algo que também pode ajudar e trazer a percepção de que você está fazendo algo, é agir diante desses medos. Por exemplo, se seu medo é de que seu filho se afogue ao ir para a praia, ao invés de nunca ir ao mar, ou ficar se atormentando durante toda viagem, é pensar com antecedência, “quais estratégias podem ser utilizadas para evitar essa minha preocupação”? Você pode querer colocá-los em aulas de natação para você saber que seu filho terá maior segurança, quando estiverem na praia.


Lembre-se de respirar


Ser pai não é nada fácil. Assim parar e dar atenção para a sua respiração pode ajudar a controlar os níveis de estresse. Você pode inclusive começar a fazer exercícios de respiração profunda e meditação com seu filho.


Viagem e não uma mudança sem volta

A ansiedade dos pais não precisa ser seu estado permanente de ser. Ao utilizar as estratégias citadas nesse artigo, e aumentando sua rede de apoio, você pode manter seus níveis de ansiedade sob controle.




REFERÊNCIAS



https://www.psycom.net/parent-with-anxiety-disorder

https://nyulangone.org/news/proven-strategies-anxious-parents-who-may-pass

https://www.verywellmind.com/parenting-anxiety-2634007

https://www.healthline.com/health/parenting/parental-anxiety

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