TDAH em adolescentes - como identificar?



Hoje quero trazer para vocês, alguns dos sintomas comuns de TDAH na adolescência, algumas dicas para pais e educadores que desejam melhorar seus relacionamentos com seus adolescentes e ajudá-los a lidar com os desafios do TDAH.


É importante reforçar aqui sobre o contexto em que um adolescente se desenvolve. A adolescência está associada à puberdade, momento de intensas alterações físicas, fisiológicas, psicossociais e culturais, mudanças que por si só, aumentam as chances de problemas emocionais e comportamentais. A pergunta que se faz então é, como saber se se um adolescente desatento, hiperativo ou impulsivo está tendo manifestações comuns da idade, ou se possui um diagnóstico de não identificado?


O Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) parece estar em todos os lugares hoje em dia, sendo inclusive um termo utilizado indevidamente para nomear qualquer criança que esteja mais agitada ou desatenta, apesar do mau uso, quando falamos do transtorno real ele será caracterizado por um conjunto de sintomas relacionados à desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade, que podem se manifestar de três maneiras: somente com sintomas de desatenção, somente com hiperatividade e impulsividade ou numa combinação dos dois.


- TDAH predominante desatento;

- TDAH predominante hiperativo-impulsivo;

- TDAH tipo combinado.


Na adolescência os subtipos mais frequentes são de desatenção e combinado. Nessa fase a desatenção aparece, principalmente com a dificuldade em manter o foco, em persistir em uma tarefa ou se organizar para a realização de atividades. Enquanto a hiperatividade se vem com movimentos físicos em excesso, agitação e conversar demais fora de hora e a impulsividade, aparece ligada a comportamentos de risco, ou seja, ações tomadas na reação imediata e sem muito planejamento (American Psychiatric Association, 2014).


5 características do TDAH em adolescentes:


  1. Os principais problemas com os quais muitos adolescentes lutam são:


  • Problemas para prestar atenção na aula;

  • Achar difícil ficar parado;

  • Conversa paralela durante a aula;

  • Notas ruins;

  • Entregar suas atividades atrasadas, ou perder seus trabalhos;

  • Dificuldade para ouvir os outros;

  • Ter acessos de raiva;

  • Muito distraído;

  • Falam demais.


É importante que esses comportamentos estejam presentes em pelo menos 2 lugares diferentes (casa e escola, por exemplo).



2. O motivo da busca por tratamento em adolescentes com TDAH, muitas vezes, não estão diretamente ligados a problemas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade, é comum reclamações com dificuldades para se organizar, começar ou finalizar tarefas, com o autocontrole, entre outros problemas que acabam afetando negativamente o desempenho escolar e as relações sociais.


3. Adolescentes com TDAH tendem a parecer emocionalmente mais imaturos comparados com os seus pares, é comum que eles sejam mais facilmente influenciados, que caiam em ciladas sem muita noção do que aconteceu, aqui é fundamental que os pais estejam atentos e conheçam quem são as pessoas com quem o filho tem se relacionado.


4. Há uma busca pelo que é mais prazeroso e traz rápida satisfação (o que já é comum em adolescentes sem o TDAH, aqui é intensificado) Perdem o interesse por coisas que exigem mais tempo e mais reflexão e que não tenha prazer imediato.


5. Devido o histórico do problema, a maioria dos adolescentes já tinha na infância os problemas de TDAH, então chegam nessa idade com uma baixa autoestima e um autoconceito negativo. O que é piorado, pois, como o jovem vai criando a sua identidade muito baseado no que os outros pensam dele, e o que pensam dele é geralmente “nossa não presta atenção em nada” “rebelde” “não faz nada certo” e outras criticas, isso só piora a visão negativa que ele tem de si mesmo.


6. Durante a adolescência, especialmente quando as mudanças hormonais da adolescência estão acontecendo e as demandas de atividades escolares e extracurriculares estão aumentando, os sintomas de TDAH podem piorar.


7. É comum a presença de comorbidades em até 50% dos adolescentes. Sendo que os que mais aparecem são o transtorno desafiador de oposição, transtornos de ansiedade, transtorno de conduta, transtornos de humor, distúrbios de aprendizagem e abuso de substâncias.


Atitudes essenciais ao lídar com o TDAH


1. Tratar o transtorno: tanto com a medicação para ajudá-lo a ter mais atenção, concentração e auto regulação emocional, como também com a terapia cognitiva comportamental (TCC). A TCC é caracteriza como um modelo psicoterápico breve, estruturado e direcionado para resolução de problemas e alterações de comportamentos e pensamentos considerados disfuncionais (Beck, 2013). As intervenções para TDAH nesta abordagem visam produzir mudanças nos sistemas de crenças do indivíduo, além de ajudá-lo a desenvolver maneiras mais efetivas para lidar com os problemas decorrentes do transtorno. O tratamento envolve principalmente a psicoeducação, manejo dos problemas emocionais e treinamento de habilidades de enfrentamento.


2. Os pais e a escola precisam apresentar as regras claras e objetivas, aqui é fundamental que escola e família sejam parceiras do tratamento desse jovem, precisam estar juntos. Quando os pais são separados há a necessidade de estarem bem alinhados e falarem a mesma língua, as mesmas regras e combinados precisam valer em ambos os alugares.


3. Falamos muito sobre como punir o mau comportamento, mas reforçar o bom comportamento é essencial, o jovem com TDAH, mais do que os demais, precisa de validação e elogios sinceros e baseados em fatos, isso o ajuda a estar alinhado, sabendo o que é esperado dele.


4. O TDAH afeta o sono: jovens com transtorno tendem a ter maior dificuldade em pegar no sono e com o acordar, o que os deixa ainda mais sonolentos, cansados e com dificuldades de atenção no dia seguinte. Aqui os pais precisam reforçar os combinados em casa, e ajudar o jovem a manter seu ritual do sono, se a hora de dormir é 22h , nesse horário tudo é desligado, ou pela manhã, vale a pena acordar esse jovem uns 15 minutos do despertador, para ele ter mais tempo para ir despertando.


5. Como citado anteriormente, estar atento para as comorbidades: adolescentes com TDAH tem maior risco para depressão, ansiedade, transtorno bipolar, acidentes e quedas e risco de suicídio até 3 vezes maior, devido à impulsividade aumentada.



O que é importante dizer ao jovem que tem TDAH


1. É normal ter sentimentos confusos sobre o diagnóstico de TDAH. Ex. Você pode talvez ficar aliviado ao ter descoberto ter TDAH, porque isso te ajudou a explicar por que das suas dificuldades na escola, talvez você tenha medo de não estar a altura dos demais colegas, ou ainda pensar que por ter o transtorno você não é tão inteligente quanto os demais jovens da sua idade. Todos esses pensamentos são comuns, e você deve e sentir a vontade para falar sobre eles com seus pais e terapeutas.


2. Seus sintomas podem criar problemas para você, mas nem sempre e não em todas as situações. Por exemplo, quanto mais interessado você está em um assunto ou atividade, mais você será capaz de se concentrar e prestar atenção. Se você pode descobrir quando seus sintomas estão piorando (como em uma sala de aula ou assistindo longas palestras entediantes) Você terá pistas sobre o que fazer para se preparar melhor para lidar com esses momentos.


3. Adolescentes com TDAH podem cair na armadilha de se perguntarem: "Por que sou tão estúpido?" ou "Por que não posso ficar de boca fechada? Mesmo quando algo parece deram errado, você consegue fazer perguntas positivas, como "O que deu certo?" Quando você se pergunta este tipo de pergunta, você começará a notar o que ajuda você a ter melhores comportamentos.


Como os pais podem ajudar um adolescente com TDAH?


1. Coloque expectativas, direções e limites claros e consistentes;

2. Defina uma programação diária e mantenha as distrações ao mínimo;

3. Fortaleça a autoestima do seu adolescente reforçando os comportamentos positivos,

4. Defina consequências para o mau comportamento;

5. Ajude seu adolescente com agendamento e organização;

6. Mantenha uma rotina estruturada para sua família com a mesma hora de acordar, hora da refeição e hora de dormir;

7. Configure um sistema de lembrete em casa para ajudar seu adolescente;

8. Certifique-se de que seu adolescente durma o suficiente, para isso estabeleça regras firmes para a TV, computadores, telefones, videogames e outros dispositivos. Certifique-se de que todos os estes estejam desligados ao menos 30 minutos antes de dormir.

9. Organize itens do dia-a-dia. Seu filho deve ter um lugar para tudo e manter tudo em seu lugar. Isso inclui roupas, mochilas e material escolar.

10. Use listas de verificação, pode ser útil para garantir que itens como livros escolares sejam trazidos para casa todos os dias.



Referências



https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/adhd-teens#:~:text=Teens%20may%20become%20inattentive%20or,to%20sit%20still%20in%20class.


https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0716864015000097 Um guia prático para implementar intervenções escolares para adolescentes com TDAH ( PDFDrive)


TDAH em Adolescentes: Desenvolvimento, Avaliação e Tratamento. Editado por Stephen P. BeckerBRAUN, Karen Cristina Rech et al .


Terapia Cognitivo-Comportamental para adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: uma revisão sistemática de literatura. Contextos Clínic, São Leopoldo , v. 12, n. 2, p. 617-635, ago. 2019 .

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